Num mundo no qual a tecnologia é onipresente, nem todos têm acesso a ela. Essa realidade é patente, algo que nunca devemos esquecer quando falamos de “era digital”. Mas como chegar ao acesso igualitário às ferramentas digitais e à internet?
Este questionamento não é apenas retórico, mas sim o ponto de partida para uma discussão fundamental de nossa atualidade, abordada na disciplina Educação, Tecnologia e Sociedade.
Mas será que é uma discussão realmente nova? Como provocação para o debate de compreendermos os desafios atuais da sociedade digitalmente inclusiva, proponho o seguinte questionamento:
Como a pintura se relaciona com o atual debate da inclusão digital/social no âmbito da educação tecnológica?
Contextualizando, a obra é A Leitora (1772), de Jean-Honoré Fragonard, Rococó, e encontra-se no Museu do Louvre, em Paris. Encarnando os ideais estéticos do rococó, evoca uma realidade estetizada de amores corteses e devaneios poéticos, exaltando valores da nobreza ilustrada como a educação feminina e o culto à beleza
Embora esta pintura retrate uma cena do século XVIII, ela pode nos levar a refletir sobre questões atuais relacionadas à inclusão digital e social na educação tecnológica.
Respondendo à indagação
- Divisão social: com o retrato de uma jovem de classe alta, com acesso privilegiado à educação e ao conhecimento. O debate sobre inclusão digital deve levar em conta a questão mais ampla das desigualdades socioeconômica. Não se trata somente de inclusão digital, mas inclusão social também.
- Acesso à informação: a jovem está absorta na leitura de um livro, o principal meio de acesso ao conhecimento. Um objeto basicamente reservado às elites, dado seu alto custo. Hoje o acesso a dispositivos faz parte da equação, é necessário, mas não suficiente.
- Letramento: assim como a habilidade de leitura que a jovem demonstra, o conceito de letramento digital emerge como um dos pontos da inclusão. Não somente utilizar a tecnologia do ponto de vista instrumental, mas entendê-la e utilizá-la num contexto social.
- Concentração e foco: a postura absorta da leitora nos faz refletir sobre como manter o engajamento num ambiente digital repleto de distrações. Além disso, a pesquisa tem mostrado que a leitura em tela é inferior, do ponto de vista cognitivo, ao papel.
- Gênero: ver uma mulher lendo naquela época era menos comum. Hoje, discutimos como promover igualdade de gênero feminino no acesso e uso de tecnologias educacionais.
Em sua aparente simplicidade, a pintura traz uma rica reflexão sobre como evoluímos em termos de acesso à Educação e informação. A analogia chama a atenção para os desafios que ainda persistem para tornar a educação tecnológica inclusiva e acessível, democratizada, não restrita a uma minoria privilegiada.